Verdades e Mitos Sobre a Obesidade

PUBLISHED ON APR 12, 12047

Não é verdade que todos os obesos apresentam peculiaridades que os levam a engordar. Não existe uma personalidade própria dos obesos, mas existem decorrências emocionais do fato de o indivíduo ser obeso (humilhado, desmoralizado ou envergonhado), que faz com que ele desenvolva determinados traços de caráter. Estes são conseqüência e não causa da obesidade, como por exemplo falta de confiança, desejo de ser agradável, vergonha do corpo ou problemas sexuais.

Existe uma grande diferença genética na queima calórica e na produção de gordura, ou seja, a lipogênese aumentada (produção de gordura) e a oxidação deficiente de gorduras (baixa queima calórica) explica os motivos pelos quais as pessoas engordam, sem esquecer a importância da quantidade da ingesta e do gasto calórico promovido pelo exercícios físicos. Mas as alterações individuais na queima de calorias podem explicar o ganho de peso, mesmo que a pessoa não coma muito. O indivíduo pode comer muito por causa de um “defeito biológico-bioquímico”, que não avisa ao cérebro que o estômago já está cheio…

Existem pessoas que ganham peso por causa de problemas emocionais e talvez a genética explique que determinadas situações emocionais faça com que indivíduos predispostos se tornem obesos. Nem todo obeso tem problemas emocionais que o levaram a engordar.

Todas esses aspectos que foram abordados nos permitem afirmar que obesidade não é só doença de rico. Até em países onde a desnutrição é um problema e a fome impera, a obesidade suplanta a desnutrição.

A crença de que todo obeso come muito já pode ser revista. Dr. Alfredo Halpern afirma que nem todos os gordos comem muito. Nem todos os indivíduos aproveitam por igual o que consomem ou gastam da mesma forma a energia que absorvem na alimentação. “O eventual desequilíbrio entre uma coisa e outra é que explica a existência de magros que comem muito e gordos que se alimentam pouco.” E quando um gordo come muito não é por falta de caráter, mas por uma necessidade orgânica, determinada por distúrbios biológicos e/ou bioquímicos que ainda não sabemos explicar totalmente.

Mas sabemos que todo mundo acredita que os gordos comem muito e quando algum deles diz que come pouco… é motivo de chacota ou de troca de olhares entre “os profissionais da área que acham que esta é uma dificuldade” de seu paciente… Entretanto hoje já sabemos que existem gordinhos que nem sempre comem muito. Existem pessoas que apesar de ingerirem uma quantidade considerada normal de alimentos tem um gasto energético diminuído, queimam menos caloria e portanto engordam mais facilmente, devido principalmente ao seu metabolismo. Este é um ponto crucial que é necessário levar-se em conta quando avaliamos um paciente obeso. Devemos levar em consideração o “gordinho poupador de energia”, como também aquele que “queima menos gordura”, e que pode e deve ser medicado de maneira diferente, antes de simplesmente mandá-lo parar de comer.

Não é a toa que Dr. Alfredo Halpern diz com tanta propriedade e fazemos nossas as palavras dele: “Não é gordo quem quer, mas quem tem propensão a sê-lo”.