Mastigação

PUBLISHED ON APR 16, 16047

Os objetivos da mastigação são: a trituração dos alimento, a estimulação do centro da saciedade, ajudando a diminuir a quantidade de ingesta, possibilitando um melhor controle do peso. Quando mastiga bem os alimentos, a movimentação dos músculos da face, envolvidos nesse processo, gera uma resposta mais rápida ao estímulo da saciedade, ou seja, a pessoa sente-se satisfeita com uma menor quantidade de alimentos.

Por isso é necessário intensificar os cuidados com os dentes depois que o obeso se submeter à cirurgia bariátrica, pois se deve evitar tudo que possa comprometer a mastigação – feridas, tártaro, cáries ou gengivite. Em função da ansiedade, o obeso não se dá o tempo necessário para comer. Todo gordo tem preguiça de mastigar, porque tem pressa… ou porque não aprendeu e por isso não tem o registro de que quanto mais mastigar a comida mais gostosa ela fica, o que o faz engolir sem mastigar. Estão percebendo o círculo vicioso em torno do qual se enrola a vida dos gordinhos?

Outra questão importante para os obesos diz respeito ao hábito de “comer até passar mal”. Por não saber se relacionar de uma forma diferente com a comida, o obeso gastroplastizado pode tentar manter esse padrão depois da cirurgia. Se esse comportamento compulsivo é mantido, o paciente tende a mastigar mal uma quantidade de comida “que não pode pertencer mais ao seu universo…”, levando-o a enfrentar mais dificuldades digestivas.

A importância da mastigação é muito grande e deveria ser enfatizada desde sempre. A origem de muitos problemas digestivos situa-se na falta ou na inadequada mastigação. No pós-operatório é fundamental que a comida seja bem triturada para evitar os pedaços grandes que exigem mais esforço do estômago.

Quando se trata de um obeso mórbido que se operou e que está com a alimentação restrita a líquido, constatamos uma tendência à regressão, com grande ênfase na fase oral. Da mesma forma que o bebê, nesta fase inicial, não mastiga porque não tem dente…, o obeso não mastiga porque não pode, favorecendo o surgimento de conflitos e angústias tão primitivos quanto àqueles experimentados na primeira infância. É um dos poucos momentos na vida em que uma pessoa fica restrita a alimentação líquida…. Para o obeso costuma ser também uma fase de “lua-de-mel” com a cirurgia porque não podendo mastigar, também não se defronta com as futuras limitações alimentícias.

Quando, no pós-operatório, a alimentação passa do pastoso para o sólido, que acontece, variando de acordo com a orientação de cada equipe cirúrgica, de 15 até 30 dias, o paciente passa a se defrontar com seus dentes, é então que começam a surgir as primeiras dificuldades.

Como conseqüência da boa mastigação há uma diminuição da velocidade na alimentação. Pessoas com propensão a comer compulsivamente doces, chocolates ou biscoitos podem conseguir um melhor controle se começarem mastigando mais vezes, mais devagar esses mesmos alimentos. E a comida ainda fica mais gostosa!!!