Bunda

PUBLISHED ON APR 16, 16047

No Renascimento a mulher nua era símbolo de maternidade e procriação. Com a entrada do açúcar no mercado muda o corpo da mulher, que adquire curvas e gorduras, tão bem retratadas por Rubens e Rembrandt. Constatamos a valorização das formas arredondadas, que no Brasil Colônia terão sua expressão na moda das anquinhas.

Talvez possamos dizer que a origem da grande mania nacional do homem brasileiro, a bunda, esteja situada na valorização das ancas que aconteceu a partir desse momento histórico, no continente europeu.

A mulher magra é desqualificada, sendo identificada com a doença. A magreza fala de escassez, o que a Europa conheceu de perto, desde a Idade Média, com a peste negra, até as carências nutricionais que as guerras representaram para esta população. Ser magra tornou-se sinônimo de estar doente, fora dos padrões cobiçados.

Ninguém deseja aquilo que remete à falta…. E de acordo com essa máxima, ancas pequenas seriam falta de saúde. Não seria à toa que hoje a expressão “que saúde!”, dita numa roda de homens a respeito de uma mulher está relacionada ao volume dos seios e sobretudo ao tamanho dos quadris. A moda das anquinhas, que chega a utilizar enchimentos (barbatanas, lâminas de ferro ou jornais) para valorizar essa região do corpo feminino, tornou o posterior feminino ainda mais cobiçado.

As formas arredondadas vão se tornando a principal marca do corpo feminino, da mesma forma como as ancas foram se tornando o símbolo da mulher desejável. Foi assim que o olhar do homem brasileiro vai se fixando na “derrière” feminina.

No início do século XX tem início a moda da mulher magra e a função feminina de reproduzir e procriar vai dando lugar a uma obsessão pelo emagrecimento. Entretanto nosso país mestiço, como bem o definiu Gilberto Freyre, encontra nessa “morenidade” uma forma de continuidade da valorização da bunda feminina.

Por mais que não haja similar valorização da obesidade, com certeza encontramos a admiração especial pelas partes baixas do corpo das gordinhas. Diriam alguns motoristas de táxi, com quem foi feita uma pequena pesquisa, “que quem gosta de osso é cachorro porque mulher tem que ter peito, bunda, barriga e coxa”.