Bullying

PUBLISHED ON APR 16, 16047

Trata-se de um termo inglês utilizado para designar a prática de atos agressivos entre estudantes. Traduzido ao pé da letra, seria algo como intimidação. Trocando em miúdos: quem sofre o bullying é o aluno perseguido, humilhado, intimidado. Sua gravidade indica que não deve ser encarado como brincadeira de criança porque é muito sério, acometendo até adultos de pós-graduação.

Este fenômeno social foi inicialmente diagnosticado por estudiosos nos EUA, devido à sua excelência em questões relativas às estatísticas, associada à visibilidade das discriminações presentes nesta sociedade. Todas as diferenças existentes entre as pessoas são passíveis de mau uso pelos autores de bullying. A obesidade é uma das diferenças mais aparentes, já que as roupas não escondem seu excesso e as aulas de educação física mostram cruelmente o que as roupas não escondem. Nas escolas, a maciça ingesta de alimentos fast-food, as chamadas junk food, como, literalmente, o nome em inglês bem diz, “comida-lixo”, são fontes de péssimos hábitos alimentares e tornam aqueles que as ingerem alvo de chacota por parte dos que se sentem “imunes” ao problema da obesidade. A barata gordura saturada, portanto, muito contribuiu para que os EUA se tornassem pioneiro na epidemia de obesidade e para os obesos se tornarem alvo fácil de bullying.

As instituições de ensino não têm como dar a educação que os pais não conseguem transmitir em casa, mas podem informar sobre a discriminação, ensinando sobretudo a lidar com os limites, já que esta é a função primordial da escola. Um dos principais objetivos das instituições escolares, que se implantaram no mundo ocidental a partir da Idade Média, é o de propagar a tábua de valores da sociedade para que as pessoas aprendam a lidar com os “nãos” que garantem a organização da nossa cultura.

O bullying é uma forma de não aceitação de um limite importante para o convívio social e como tal se caracteriza como uma transgressão. Em tratando-se de discriminação, a obesidade transgride a norma estética e torna o adolescente obeso alvo preferido de bullying em todos os estabelecimentos escolares.

O levantamento realizado pela ABRAPIA - Associação Brasileira Multiprofissional de Proteção à Infância e à Adolescência, em 2002, envolvendo 5875 estudantes de 5a a 8a séries, de onze escolas localizadas no município do Rio de Janeiro, revelou que 40,5% desses alunos admitiram ter estado diretamente envolvidos em atos de bullying naquele ano, sendo 16,9% alvos, 10,9% alvos/autores e 12,7% autores de bullying. Este levantamento mostra a necessidade de que as autoridades se preocupem cada vez mais com esta problemática. Mais uma vez impõe-se a presença do Estado. Os dados mostram que as determinações do Estatuto da Criança e do Adolescente nem sempre são cumpridas como manda o Art. 56 do ECA, cujo texto define que os dirigentes de estabelecimentos de ensino fundamental devem comunicar ao Conselho Tutelar os casos de maus-tratos envolvendo seus alunos. Quando as crianças estão nas escolas, é dever destas zelar para que não sofram maus-tratos de espécie alguma.