Bulimia

PUBLISHED ON APR 16, 16047

É um distúrbio mental que predomina em mulheres, mas também acomete homens. Começa em geral na adolescência ou no início da fase adulta. Caracteriza-se pela ingesta de grande quantidade de alimentos, chamados de acessos de hiperfagia. Estes se traduzem num aumento exagerado do apetite e na conseqüente tentativa de livrar-se do excesso pela via do vômito, dos laxantes ou dos diuréticos. O vômito provocado pelo próprio indivíduo pode ter como conseqüência o aparecimento de dor abdominal. Consciente de que o fenômeno é anormal, o bulímico teme não ser capaz de detê-lo voluntariamente, experimentando sentimentos de autopiedade, autocomiseração ou mesmo depressão.

A pessoa bulímica provoca vômitos, toma laxantes ou diuréticos. Como é raro fazer isso na presença de outras pessoas, é recomendável que seja observado se a pessoa passa a freqüentar excessivamente o banheiro após as refeições. Ela tanto pode ganhar como manter o peso, apesar de seus esforços estarem focados na perda de peso. Mesmo fazendo dieta e muitos exercícios a pessoa bulímica pode se manter acima do peso porque sua ingesta segue um padrão de quantidade muito grande. Ela pode apresentar inchaço nas maçãs do rosto ou gânglios no pescoço, pois o vômito provocado com freqüência faz com que aumentem de volume as glândulas salivares nessas regiões.

Num primeiro olhar pode parecer o oposto da anorexia, mas na verdade os dois distúrbios podem coexistir na mesma pessoa, mesmo que se manifestem em épocas distintas. A bulimia consiste em comer muito e depois provocar vômitos ou adotar algum outro recurso que o remeta a eliminar os excessos que pratica ao se alimentar.

A bulimia pode ser uma patologia independente, ou fazer parte da evolução da anorexia. O bulímico pode, inclusive, não estar abaixo do peso, pelo contrário, pode adotar inicialmente esse comportamento como uma tentativa de eliminar seu excesso de peso. Este comportamento está regido pelo “pensamento mágico”, característico da infância, quando não conseguindo reduzir sua alimentação a pessoa utiliza o raciocínio de que aumentando o volume expelido resolveria seu problema.

A anorexia é bem mais grave, embora a bulimia também apresente um alto grau de gravidade. Na bulimia todas as características de personalidade descritas para a anorexia também existem (vide Anorexia), mas com menos intensidade. O perfeccionismo e a obsessividade também são mais fracos ou inexistente. O paciente pode apresentar episódios de tricotilomania (arrancar os próprios cabelos), de tricotilofagia (comê-los), de cleptomania ou de depressão.

A bulimia responde melhor ao tratamento e tende menos à cronificar, mas sem tratamento também pode ser fatal. O excesso de vômitos pode produzir grandes distúrbios metabólicos. Com freqüência existe destruição do esmalte dentário, e lesões no céu da boca e na garganta, provocadas pelos instrumentos que podem ser utilizados para provocar os vômitos; sem esquecer a deterioração das papilas gustativas pelo excesso de vômitos. A alimentação deixa, então, de cumprir uma de suas principais funções, que é ser fonte de prazer, uma vez que a deterioração do paladar impede a identificação dos sabores, primordial para experiência do prazer. Num estágio mais avançado da doença a pessoa não precisa mais lançar mão de qualquer recurso para provocar vômito, pois o organismo acaba criando uma espécie de automatização em relação ao ato de comer, devolvendo tudo aquilo que é ingerido. Há necessidade de um trabalho psicoterápico para desfazer este condicionamento.

A internação hospitalar é mais rara do que na anorexia, pois a paciente, por sofrer mais com a depressão, e por ter mais consciência dos sintomas, aceita melhor o tratamento em casa.

O tratamento deve começar o mais cedo possível, sem oferecer alternativa e deixando claro que o vômito tem que ser inibido, e quando for o caso mostrar ao paciente que ele corre risco de vida. A bulimia quando associada à anorexia representa um melhor prognóstico (do que somente a anorexia), já que a bulimia permite grandes quantidades de ingesta, o que poderia ajudar na preservação da vida de um paciente anoréxico.

Essa é uma das manifestações de uma sociedade lipofóbica e narcísica, onde impera o desejo de brilhar a qualquer custo, que não permite que alguém possa escolher impunemente viver acima do peso. O desejo de brilhar numa “sociedade do espetáculo” faz com que a aparência e o consumismo venham anestesiar as carências mais primárias. Assim, as pessoas criam anestésicos para evitar entrar em contato com a angústia e o sofrimento, gerando doenças psicossomáticas ou alguns vícios ligados às drogas (adictos), ao trabalho (workaholic) ou à comida (anorexia, bulimia ou obesidade). Trata-se de mais uma constatação do aumento de doenças ligadas à imagem, aquelas atualmente também chamadas de “doenças da beleza”