Balança

PUBLISHED ON APR 16, 16047

Você tem medo da balança? Subir na balança representa um grande esforço ou um desafio para o qual você precisa se preparar para suportar os resultados? Quem sofre de algum transtorno alimentar normalmente conhece esse desconforto.

Este instrumento, a balança, nos remete à noção de equilíbrio, de justiça e de peso.

Essas noções estão muito ausentes do universo dos obesos na relação com seus corpos. Para equilibrar nossa saúde precisamos, gordos ou magros, em primeiro lugar, estar em paz com a balança. Quando alteramos nosso peso, seja para mais, no caso daqueles que não podem ou não devem engordar, ou para menos, no caso daqueles poucos felizardos que tem dificuldade para ganhar peso, costumamos nos sentir em guerra com a balança. Deparar-se com a realidade que ela espelha apavora os menos organizados. Fingir que não está acontecendo nada de importante quando nos defrontamos com resultados desastrosos da balança não é a melhor forma de encarar a questão.

O mecanismo de defesa representado pela negação pode nos trazer um agravamento do problema. Parece que é detectada uma guerra e será necessário decretar um armistício que nos ajude a tomar consciência do real tamanho do nosso corpo para podermos promover as transformações necessárias. Não importam quais sejam essas mudanças. Elas pressupõem que estabeleçamos uma “relação de amizade” com a balança, adquirindo o salutar hábito de “ouvi-la”, para que possamos entender o que ela está tentando nos dizer a respeito de nossos corpos, usando-a com regularidade, e sobretudo a nosso favor. Sejam mudanças nas quantidades, na qualidade daquilo que se vai ingerir, nas combinações dos alimentos, ou na forma como as compras deverão passar a ser feita, todas elas dependem da informação que a balança nos fornece.

“A hora da gula é a hora em que engordamos”, frase ouvida por uma pessoa no final de uma maratona gastronômica em uma churrascaria. Engordamos quando somos gulosos. Parece que é o pecado da gula que controla a relação do homem com a balança. Concluímos que todo obeso declarou, um dia, guerra à balança. Para reverter esse quadro é preciso “fazer as pazes” com a dita cuja, visando adequar-se às necessidades para as quais ela aponta, vivendo de forma mais justa consigo mesmo, sentindo-se com um corpo mais equilibrado, mais leve e podendo usufruir mais dos balanços positivos da vida.