Anorexia

PUBLISHED ON APR 16, 16047

Anorexia não é uma doença nova, ela existe desde a Idade Média. Os primeiros relatos falam de uma doença misteriosa que transforma a pessoa, apresentando uma grande perda de peso e uma dieta auto-imposta. Há registro de que 170 mulheres com estas características foram reconhecidas pela Igreja Católica como santas. Em 1691 encontramos uma das primeiras descrições do quadro de anorexia nervosa feita por um médico inglês, indicando bradicardia, hipotermia, hipotensão, extremidades cianóticas/azuladas, sem afecção orgânica que justificasse o caso. Existem registros na França e na Inglaterra a respeito de uma doença desconhecida no final do século XXVII.

Ela foi nomeada inicialmente como “anorexia histérica” e a partir de 1874 passou a ser denominada como “anorexia nervosa”; em 1924 levantou-se a hipótese de ser uma doença de aparência histérica, e passaram a denominá-la como “psicose histérica”; em 1975 as anoréxicas passam a ser consideradas psicóticas, em função dos distúrbios corporais, mas em 1990 a anorexia é relacionada a distúrbios obsessivos-compulsivos, buscando evidências genéticas que a comprovem. Em 1993 anorexia é definida como transtorno metabólico por déficit de zinco.

Hoje definimos anorexia como um transtorno alimentar que se caracteriza por limitações dietéticas auto-impostas, padrões bizarros de alimentação, com acentuada perda de peso induzida e mantida pelo anoréxico. Ela está associada a um temor intenso de tornar-se obeso, e por isso mesmo pode ser encarada como uma forma reativa de lidar com a obesidade. O indivíduo apresenta um quadro mórbido, diminuindo consideravelmente a quantidade de alimentos ingeridos, eliminando aqueles ricos em calorias. Chamamos de padrão bizarro o fato dele fazer escolhas alimentícias muito diferentes daquelas que caracterizam a alimentação dos demais membros da comunidade a qual ele está vinculado, por exemplo, a mistura de feijão com iogurte ou sopa com doce de leite.