Prefácio

PUBLISHED ON APR 16, 16047

Esse livro não pretende ser um compêndio de sapiência sobre obesidade. Os gordinhos, os obesos e todos aqueles que apresentam algum tipo de transtorno alimentar (seja obesidade, anorexia, bulimia ou ortorexia) buscam uma compreensão maior do problema visando, pelo menos, conviver melhor com o prazer da comida. Isso é cada dia mais difícil já que o aumento dos índices de obesidade acontecem na mesma proporção em que o sentimento lipofóbico também aumenta. Quanta contradição…, será? Este processo social reativo aponta na direção da necessidade de encontrarmos uma solução que permita um equilíbrio maior entre nossa principal fonte de prazer, que é a comida, e o “bem estar bem” no mundo.

Tivemos a pretensão de contribuir para a melhora dessa relação com os prazeres da mesa, mas sem a menor pretensão de esgotar o tema ou de tratá-lo de forma exaustiva. O assunto é tão vasto, tão grande, tão gordo… que seria demais acreditar que nossa experiência poderia dar conta de um problema que já virou epidemia mundial. Como, apesar das estatísticas alarmantes que mostram a gravidade do problema, o poder público não toma as devidas providências, nós vamos colaborando com a nossa experiência de ex-obesos. Sofremos na pele as dificuldades, as dores e as possibilidades de transformação, tentando ocupar um pedaço desse espaço vazio que não está cheio de ar, mas cheio de esperança de dia melhores.

Mas quem são esses gordos tão cheios de boas intenções? De bem intencionados o inferno está cheio, mas como nós, nem tanto… Lula Vieira é um homem de mídia que já pesou 160 quilos e hoje com 93 quilos, ou seja com 67 quilos a menos pode falar com conhecimento de causa sobre o assunto. Dirce de Sá Freire, que “gordamente” já começa podendo dizer que tem dupla formação, historiadora e psicanalista, foi obesa mórbida durante 5 anos da sua vida, mas antes disso, como todo obeso mórbido, sempre teve tendência para engordar.

Na lipofobia em que foi criada, sempre se achou obesa sem sê-lo, mas acabou chegando lá, com galhardia. O inconsciente nos leva para onde nossa convicção for maior. Era tão grande o medo de não ser vista que precisou exacerbar no tamanho para que se sentisse vista pelo outro. Isto posto, percebeu que mostrou o que não era necessário e então pode recolher. Como? Emagrecendo, e se dando conta do quanto precisava se reciclar em moldes menores e mais adequados ao tamanho do mundo globalizado.

A Internet nos permite atingir os quatro cantos do planeta fazendo alguns poucos cliques. O que precisamos hoje é de saúde para vivermos mais e podermos aproveitar mais as facilidades que estão disponíveis sem precisarmos consumir tudo ao mesmo tempo com sofreguidão e sem tempo e disposição para bem digerir. Hoje sabemos que precisamos cuidar da nossa alimentação com um novo foco, ou seja, lembrando que o que nos engorda não é o que comemos entre o Natal e o Ano Novo, mas o que comemos entre o Ano Novo e o Natal…